quarta-feira, 11 de maio de 2011

 
'E o amor? Então não sabe do que se trata?' - perguntei à menina. O amor nem é tão complicado assim. Na verdade Ele é exatamente a simplicidade de tudo aquilo que é complexo. Visto em pequenos atos... Visto naquele olhar que lhe ofertado parece vasculhar seus pensamentos com uma inoportuna admiração para cada um deles; ou em palavras que mesmo tecidas da maneira mais natural e cotidiana, parecem trabalhadas por verdadeiros artesãos da poesia, no intuito de endereçá-las ao canto mais sensível do seu coração. Visto ainda (ou deveria dizer principalmente?), no mais intenso dos atos cabíveis aos humanos: o beijo. Quando verdadeiro e sincero, nele um sentimento tão apreciável pode ser percebido com a clareza de uma nascente cristalina... E como tal, ainda que não seja notada por todos os presentes logo no início, tomará proporções brasileiras e, quando menos se esperar, toda aquela água vai parecer apertar seu peito, prender sua respiração, congelar sua barriga e tremular suas pernas. Em meio a toda aquela água, você vai se sentir voando...
Estaria Renato se referindo ao amor quando cogitava a possibilidade de tocar as nuvens com os pés no chão?

Na ideologia de cada um, o amor pode ser interpretado de duas maneiras diferentes. Diferentes não, opostas. Há aqueles - os ignorantes -  que o interpretam como um castigo que os prenderam a quem não os mereciam, que os acorrentaram a alguém que já se foi, deixando com eles apenas a saudade. Mas esses, coitados, são os desiludidos. Desiludidos não por um amor, como melodias pouco pensadas tocam em festas mal frequentadas, mas desiludidos por acreditarem ou se convencerem de que aquilo possa ter sido o amor. Como o amor pode se desgastar com o tempo, sendo ele o diamante na gemologia dos sentimentos. Existem várias outras pedras que podem se tornar mais fracas com os efeitos erosivos inevitáveis com o tempo, não o amor. Aliás, só o tempo verbal usado já aponta o tamanho engano dessas pessoas... O amor não tem passado! Me perdoe mestre Vinícius, mas Ele não é uma chama.

Mas, felizmente, ainda se vê uma pequena amostra de sábios. Os que vêem o amor como uma dádiva. Aqueles que podem sim já ter se enganado, mas não mais. Que encontraram o verdadeiro amor, que o entendem, o aceitam e não desistem dele nunca. São os verdadeiros amantes... Os românticos... Muitas vezes sem espaço dentre tantos ignorantes, eles não se intimidam e vão até o fim. Vão não apenas por serem sábios, mas também por se conhecerem e respeitarem seus instintos. A sabedoria deles os permitem saber que a recompensa é maior que qualquer dificuldade. Eles já sentiram o prazer dela. Para esses, Ele é como a banda que o maior dos Chicos já cantava. E mesmo que, por ora, a correspondência não seja ainda a esperada. Ainda que a sabedoria da pessoa amada não tenha ganhado a intensidade merecida, um sábio com um diamante tão rígido empunhado não terá problemas para conquistar tal equilíbrio.

Nesse momento eu fui interrompido. 'Sei sim do que se trata... Sou uma sábia!' - respondeu a menina.


(dedicado a um alguém especial)

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