quarta-feira, 11 de maio de 2011

Inconfessável

Como poderei revelar o teu nome
E profanar toda uma essência?
Um nome, por si só, nada exprime
e nada sabe de dor ou amor.

Teu nome é vazio
e cairia bem em qualquer outra,
mas só em ti faz sentido.
Só em mim exerce um estranho
poder.

Teu nome é vazio
Quando não está em meu pensamento.
Quando não se escreve nos meus lábios
e deles se atira ao alto.

Teu nome é apenas espírito;
é alma a penar solitária
que muitas outras incorporam
mas que só em ti toma corpo.

Teu nome, embora, vazio
É também repleto de significados
E quando eu o pronuncio
Não deixo de saboreá-los um a um.

Tem um sabor musicado
E um som que derrete na boca.

Não, não preciso revelá-lo!
Pois ele, por si só, confessa:
Que és tu, quem melhor o retrata,
Que é ele, um braço do amor...


                                                                                                    Ícaro Estrela

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